sexta-feira, 9 de maio de 2008

Do Potencial Mobilizador de Um Corpo Docente Deficitário [Ou Ode à MS]


AVISO: O POST ABAIXO É UMA OBRA DE FICÇÃO, QUALQUER SEMELHANÇA COM A REALIDADE NÃO PASSA DE MERA COINCIDÊNCIA

Muito se fala sobre os bons professores. Sobre como eles podem marcar a vida de seus alunos e elevá-los a novos e inauditos patamares na construção do conhecimento. Mas não hoje. Hoje devo prestar uma homenagem aos professores que se encontram no outro extremo do espectro.



Queria hoje homenagear aqueles tantas e tantas vezes menosprezados, alcunhados, ridicularizados e massacrados pela infâmia de seus estudantes.

Aqueles professores [de uma faculdade de psicologia muito longe daqui – claro, isso não acontece por aqui] que apesar de suas graduações e décadas de experiência são incapazes de falar “síndrome de Down”, “catarse” ou mesmo sequer coisa com coisa.

Aqueles professores que, como os dementadores dos livros de Rowling sugam através de suas aulas, digamos, pouco estimulantes, toda vontade de viver de seus estudantes; aqueles cuja mera presença vai deprimindo os alunos [do latim, ser sem luz] até o ponto de em 45’ de exposição os discentes estarem perdidos em um mundo de fantasias, pensando em estar em lugares mais saudáveis e divertidos do que aquela sala de aula [como Auschwitz ou o nono círculo do inferno].

Aqueles professores que ministram as mesmas disciplinas há tanto tempo que suas aulas vêm prontas em cadernos amarelados, e que só leram um único livro daquela disciplina na vida – de um autor cujas iniciais parecem sigla de gás que ofende à camada de ozônio, ou que nem leram nenhum livro da disciplina e contam que ninguém vai ousar ler as 700 páginas de insanidade sartreana ou os escritos de um teólogo angustiado de dois séculos atrás para perceber o nível de enrolação elevada a estado de arte que constitui a prática didática desses professores.

Enfim, aqueles professores que conseguem que Freud seja um místico adepto da cabala, que Sartre deixe de ser ateu e comunista, que Wundt ao desenvolver suas pesquisas se inspire num texto escrito dez anos DEPOIS, que os ratos mudem a FOLHAGEM durante o cio, que o testemunho de Ana Freud sobre a morte do pai seja inválido pois, afinal de contas, ela era uma dissidente teórica.

A todos vocês, especialmente aqueles que são continuamente e seguidamente impedidos de, ano após ano, elevarem-se a outros patamares na hierarquia acadêmica por nunca serem aprovados nos exames mínimos, que precisam urgentemente abraçar árvores e que entendem que o contato íntimo com certos seres não-iluminados permite uma avaliação didática mais equânime e justa, meu muito muito e mais sincero obrigado.

São vocês que nos permitem sonhar com um eldorado de um ambiente acadêmico revolucionário e moderno – mais ou menos como os da Alemanha de duzentos anos atrás – e mais, nos mobilizam a ponto de, apostolicamente, batermos o pó de nossas sandálias.

Uma salva de palmas [em pé] a todos vocês.


PS – pra achar a imagem de exibição no Google digite “meretriz de Satanás” e procure no link de imagens.